terça-feira, 18 de setembro de 2012

LEGÍTIMO - glossário


O Brasil é um estado de fato, isto é fato, porém não um estado de direito,  com aparato legal, legítimo; isto não é, nem tampouco  pode ser, pois não tem povo ativo na cultura e qualificado pela educação para conceber e exercer o direito, nem sequer se formou aqui uma elite genuína. Somos subjugados por uma elite espúria que, de elite, só tem a pecha, graças à sua superioridade política e, concomitantemente, econômica, fundadas, ambos, no crime. De fato e de direito, não constitui-se numa escol propriamente dita, mas de uma escória de arrivistas que, num dado momento,  de jogos de dados, no Cassino  da história truncada do estado, tomou de assalto o poder e passou a comandar e a assegurar a sua hegemonia com seu inúmeros crimes.
É um estado de senhores domésticos,  o Brasil, um estado doméstico, uma empresa ou casa daqueles que dividem os três poderes da República entre seus grupos : os grupos do executivo, os agrupamentos do legislativo e , por fim, os homens agregados ao poder judiciário ou judicante,  cada um dos aparatos de poder sendo mais mais importante e útil para a  outra instância do outro poder que,  qualquer um dos três,  ou o trio (assombro!)  junto  para a população abandonada a vegetar sem a assistência de nenhum poder, senão for poder para encarcerá-los ou esquartejá-los tal qual se fez com o alferes Tiradentes, que acabou agonizante na forca, no patíbulo. O pobre paga com a vida, a tortura e a execração pública qualquer pequeno delito que cometa ou caso venha ousar a reivindicar qualquer direito político ou econômico, porquanto tais reivindicações despertam uma fúria desproporcional.
Sendo, como o é, este país da Vera Cruz ( de fato! : a verdadeira cruz está aqui, neste país, às espáduas de seus cidadãos em cidadania, senão a fictícia) , um estado de fato, estado doméstico,  sua política e economia..., enfim, tudo o que o estado provê, não é para o povo deste país, porém para os senhores locados e galgados aos poderes, que, por sua vez, obedecem àqueles cuja incumbência é  a de  financiar os poderes, os quais são, a saber : os grandes empresários e as Ciclópicas Corporações nativas ou alienígenas; outrossim, as Igrejas, os donos dos meios de comunicação, etc., mandantes ou mandatários de fato, que ordenam o que trazem do "Ordenamento Jurídico" e outras leis assim"afonsinas": "Ordenações Afonsinas".
Os três poderes não funcionam senão na lógica e logística doméstica, reinante na velha Casa Grande simbólica, alegórica, que nunca sai do meio do caminho ( meio do cainho tombado pelo poeta Drummond, em "Minas não há mais...") , nem tampouco de dentro do sapato que colheu uma pedra na metade do caminho ínvio, tortuoso, escuro de Dante, o cantor do inferno. Boca de fogo ou forno. Para o povo, não obstante, esses poderes não tem função alguma ( só se for função zeta!), excepto para punir com rigor e coibir os mínimos passos dos pobres eleitores,  que elegeram quem lhes toma o dinheiro e bate-lhes com as varas da Justiça. Que justiça!
Os três poderes de fato são harmônicos, de uma harmonia paradigmática,  raro observar desentendimento entre eles, pois um "lava a mão do outro" e assim fica tudo em casa, na Casa Grande, sem conflitos. Para o pobre despudorado a senzala nas favelas e o pelourinho ( hoje no corpo espinhoso da lei-ouriço ) é a lei vigente na carne viva, em chagas, após os açoites impiedosos, o exercício pleno da crueldade, que marca este estado sem direito para a maioria absoluta da população, ainda tratada  como escravos nas Casas Grandes dos Três Poderes, que podem tudo contra a população escravizada, reduzida a animais de carga.os poderes agem como se não houvessem abolida a escravidão neste país para escravos, eufemisticamente denominados de proletários e outros nomes para o lúmpen-proletariado. eufemismos que ocultam os fatos atrás do direito que não é para todos, mas para inglês ler e maravilhar-se.
No que tange aos empresários onerados com fortunas de tributos pesados, tudo não passa de um mito, que não entra em modo de  rito, senão no carnaval, mas apenas em fantasias e alegorias de Escolas de Samba, com seus enredos dóceis, inofensivos, fingindo na ginga e no canto que tudo vai bem demais neste país dos carnavais e marchinhas. Quem paga tudo é o povo, os desvalidos, os miseráveis de Vitor Hugo.
Os empresários sonegam, mormente os grandes, enquanto a lei fecha o olho e dorme o sono dos justos, pois os donos das empresas, em geral, são filhos da casa, da casa Grande, ou apaniguados, e têm informações privilegiadas, pois o estado é do pai, tios, parentes, enfim, dos amigos do peito. Por ter o bizarro  direito à sonegação,  não se preocupam com a corrupção, que até os beneficia, pois, em geral, estão no esquema dos processos licitatórios, e o dinheiro perdido com a sonegação é dinheiro do povo, porquanto sendo alguns dos principais tributos deste estado, tributos indiretos,  não oneram as  empresas, que os recolhe para repassar ao governo, mas antes disso,  quando o repasse ocorre, o que nem sempre é certo, são utilizados como investimento às empresas, pelo menos pelo tempo que estão no poder dos empresários.
Os empresários não pagam certos impostos;  logo, quem os paga é a população, que é furtada, ludibriada por brechas abertas de propósito no direito, que, num estado que não reconhece o direito a todos, mas somente a alguns, aos quais é estendido todo  direito ( um direito doméstico, concernente a alguns indivíduos, mas não extensivo ao estado, senão quando conveniente) é o povo quem se encarrega de todo o pagamento, de sustentar a sociedade, seus luxos e ociosos.
O povo, que, por sua ignorância, não podem ter dignidade e se vendem mais barato que qualquer pobre prostituta, não têm instrução suficiente para entender o processo criminoso que se monta contra eles e que eles, os homens do povo, e as mulheres, sustentam, principalmente votando nas mesmas pessoas, eleitas somente para dilapidar o patriminônio e os recurso que entram no erário e saem nas mãos dos mágicos políticos e prestidigitadores habilíssimos.
A população é educada e cresce dentro de uma cultura ( conjunto de valores e artefatos, etc.) que os faz indigentes, intelectual e fisicamente, ignorantes,  ineptos para ler a realidade e  os complôs políticos, e , destarte, são alijados de qualquer processo social ou consciente; e sendo esta população constituídas precipuamente  destas pessoas tornadas inócuas,  que formam a esmagadora maioria dos eleitores, que elegem e parecem legitimar sempre os mesmos candidatos, as mesmas atitudes criminosas dos corruptos e corruptores, quer os meios de comunicação esclareça ou não que os candidatos cometeram ilícitos. Os miseráveis  ( sem pai : sem Vitor Hugo) acham normal que os ricos candidatos fiquem ricos assaltando feito bandoleiros e piratas o erário, pois têm atavicamente o hábito de crer que a a casa, a Casa Grande , que abriga os Três poderes, pertence por direito inalienável aos eleitos, porquanto este modo de  pensar está impregnado nos costumes,  consubstanciado, arraigado, atávico ( é um atavismo avoengo! ), e é parte da integrante da cultura do miserável, que no Brasil, é o principal  eleitor destes políticos que estão aí há anos sem fim, perpétuos no poder, vitalícios.Inevitáveis.
As pessoas instruídas, na terra de Pindorama, do pau-brasil, o pau em brasa, na metáfora para o vermelho-fogo,  não elegem senão um minimo de políticos, e assim são lesadas pelo poder público, que se aproveita da empatia que um corrupto ocasiona em outro corrupto ou no corruptor : esta a relação do povo analfabeto e miserável com  maioria sempre eleita neste país de mandatos eternos, apenas trocando de governador para deputado ou senador, e outros cargos de favores ou por eleição.
De mais a mais, lamentavelmente, as pessoas que não votam nestes políticos em círculos vicioso, são a classe média que, por seu turno, não é uma classe única, mas possui variegadas segmentos ; classe média baixa, alta, média-média ( que vai de Medeia a Medusa ) e cuja maioria, em torno de 60%, (no mínimo!),  é constituída de analfabetos funcionais ou virtuais, além de muitos indivíduos serem afetados pelo atavismo recorrente, de onde emerge o pernóstico com o ranço que sempre estraga o pensamento das pessoas aqui, as quais não tem paladar ou gosto algum, são insípidos e retrógradas e tendem, invariavelmente, a atender os ditames do costumes, dos péssimos costumes que aniquilam o agrupamento social deste país de tantos tolos e inúmeros tresloucados.


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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

REPRESENTAR - wikcionário verbete glossário


A matemática é uma linguagem descritiva do objeto; ela não fala com o objeto, nem de si, nem tampouco consigo mesma, mas apenas descreve o objeto "calada", sem emitir opinião ou analisar o objeto. É uma linguagem sem diálogo, em monólogo. Aliás, assim falam as linguagens da ciência, ou seja, as variegadas linguagens que caracterizam o objeto da ciência, que é una como a substância ou o ser e não várias ou "ciências" como pensa o vulgo e os cientistas atuais em sua carência ou ignorância epistemológica e ontológica, axiológica, filosófica, enfim. Tanto a química, a física, a antropologia, a sociologia, enfim, cada ramo da árvore da ciência, se apresenta ou apresenta o objeto travestido em uma das várias linguagens específicas da ciência, ciência esta que é uma, única, una e não várias "ciências", porém sim seus objetos e a linguagem usada na ciência para descrevê-la enquanto ciência debruçada sobre determinado objeto, sempre na forma de monólogo, ao contrário da filosofia que questiona e fala todo o tempo todo com seus objetos e mesmo com seus objetivos. A filosofia sobrevive do diálogo em seu estudo e mais especificamente da dialética, uma forma privilegiada de diálogo ou de estudo do objeto e do objetivo. A filosofia separa, porém não se cala sobre o objeto e sobre o objetivo e estabelece tal diálogo, na forma da dialética de Zeno de Eléia, todo o tempo. Aquilo que preenche ou é conteúdo de linguagens é o ser e o não-ser, o bem e o mal, o masculino e feminino, enfim, as polarizações, as quais estão extensas no espaço da realidade natural e sensível, no caso do ser ( ou um, número um, na matemática, aritmética, ou do primeiro átomo ou átomo de menor número ou massa atômica, na química, etc. ), e no espaço imaginário ou intelectivo, no caso do não-ser ou o número zero, numeral que exprime o negativo, o nada, a anti-matéria, na física quântica. São as polarizações entre o existente e inexistente, ou existência e essência ( conceitos medievos ), ficção e realidade, que fazem as linguagens e as movimenta "polarmente", pelos pólos ou em meio à tensão que preenche o espaço imaginário ou real entre o pólo positivo e o negativo, zero e o um ( numérico e não numérico ), o todo e o nada, etc. Esse o motor e torque que move o espaço tenso ou em tensão, quer seja tensão natural, entre polaridade do imã ou elétrica, dentre outras, ou intelectuais, no cado do todo e do nada, meras concepções de fluído ou índole filosófica, em tropel. O ser, não obstante, é polifônico e não vem se esgotar nas polaridades; ultrapassa-as, não se quedam apenas naquele espaço do lugar-comum entre a polaridade positiva ( real, fática, natural, mundana, existente) e negativa (intelectual, imaginária, inexistente, em essência pura, sagrada ). De mais a mais, o ser é visto de vários modos e com muitos atributos que fazem aparentes modificações na essência da substância, que é imutável e eterna. O ser para o homem não é somente o que é dado pela realidade na relação com o fenômeno, mas o que o homem modifica no ser, mormente ao por o não-ser, que é nada, porém exercita a linguagem abstrata. Na realidade do pensamento humano o não-ser é outro ser posto, nema espécie de "anti-matéria", porquanto o pensamento do ser humano vive entre a realidade e a idealidade , o que existe e o que não existe, contrapondo o mundo num contraponto que dá no princípio do contraditório, o qual é essencial à compreensão do princípio da identidade e faz parte dele, constrói esse princípio desconstruindo-o, na filosofia do construtivismo, que é a forma que o ser acha de se por integralmente no mundo. O homem pensante cria no corpo do ser um objeto que ele, o ser, não possui como atributo, não concerne ao ser , mas ao homem pensante, ao modo de Zeno em meio ao paradoxo ou ao labirinto de paradoxos que fecha seu pensamento a toda rota de fuga ou saída honrosa, honorável, possível, passível. O ser e não-ser ( e similares), neste diálogo ou dialética, são dois elementos de linguagens, esteios das linguagens. A distinção entre o ser e o fenômeno está na origem do pensamento, que não pode observar o ser ( coisa-em-si) senão por instrumentos ( e portanto parte de uma observação dependente do objeto utilizado na técnica e conotação fraca ) e o ser enquanto dado manifestado no fenômeno, que dá um ser meio real e com outra metade irreal, surreal, em conotação forte, severa. o estudo filosófico do fenômeno é obra da fenomenologia. Outrossim, estão em opúsculos. O objeto da ciência é o ser em sua descrição exata, no conteúdo do que é exato em linguagens, porém não em realidade; na realidade não há exatidão, mas caos ; a exatidão é uma platonização ou um tipo platônico, uma forma de pensamento colocado no espaço e não de realidade, um sonho de realização, cm tendência à perfeição utópica, idílica, que pode ser observado na geometria, com suas figuras imaginariamente perfeitas ou as formas perfeitas de Platão : as ideias. A perfeição em pensar, em esculpir figuras abstratas, basilares, representando ou postulando princípios do espaço com seus axiomas, corolários, escólios, proposições, juízos. O espaço e as idéias, ambos formas concomitantes, têm, outrossim, seus princípios. O objetivo da ciência é a técnica ou tecnologia, não realizar um estudo do ser, mas, principalmente, fazer o ser ou transformá-lo industrialmente, em artefato, que é outro ser, este da feitura do ser humano, dado em linguagens de equações e depois realizado pelo homem ( "homo faber") em matéria e energia, assim como os objetos geométricos são dados na mente com outro objeto e objetivo, modificados, em indústria, depois em escala industrial ; aliás, o objeto ou o ser construído ou desconstruído, e o objetivo mudam conforme o ser venha a sofrer as mutações que a arte, o labor, a engenho e a habilidade do homem proporciona e põe em objeto inovador, que não prescinde de objetivo inédito. A inovação do objeto, do pragma, norteia outro caminho para o objetivo, que , senão, fica defasado, obsoleto, arcaico. No fenômeno o ser é representado, quer dizer, é apresentado desde o pretérito, ou no passado, e não está , pois, presente, no tempo, porém fora do tempo real, que é o presente : sem realidade ou existência, excepto a existência dos sentidos que o captam, os recolhem ou colhem no mundo das coisas. Daí, é representado tal qual a luz da estrela que vemos agora é representada, porque sua luminosidade vem de um passado remoto, e sua luz observada agora, viajou muito para chegar ao olho humano, na velocidade da luz. Quiçá, a estrela em foco nem exista mais, nem esteja mais emitindo. Aliás, todo ato de representar é um ato que remete ou se refere a tempo pretérito; logo, na representação não há presente, mas presença do ser que se remete ao passado remoto ou imediato com presença no pretérito, pois, enfim, o presente já é passado, quando chega à percepção humana, de ato a fato. Não percebemos imediatamente, mas mediatamente, porquanto o tempo que se leva para compor o ato em fenômeno já constitui um tempo pretérito, como, aliás, dí-lo o prefixo "re"( para trás, no pretérito), que encetam palavras que exprimem o tempo passado ; senão vejamos: recuar, rever, requerer, repetir, representar ( tirar do passado ou pretérito e por no presente como presença do homem pensante, porém nunca como tempo presente, porque o presente mesmo não é nos dado conhecer, mas apenas vivê-lo e enquanto vivendo, existindo não há representação da vida em ato imediato, apenas é possível uma representação da memória de vida, no fato que deriva do ato. O presente vivido com o ser a percebê-lo imediatamente, ou a coisa-em-si, no sentido de linguagem filosófica, não existe, não há, é impossível, pois a percepção não acompanha a vida, que vem antes (pré), enquanto o pensamento vem posteriormente (re). Não há presença do ser em percepção, mas sim na vida. o ser é ausente no ato, porém pode ser representado no fato, como a luz da estrela cintilante que vemos hoje no céu, conquanto ela, a estrela, já tenha emitido tal luz há milhões de anos-luz. O fenômeno tem liame com a sensibilidade, que dá o ser representado, ou o não-ser, que se passa por ser, porquanto fora do presente não há ser presente, não há ser algum, mas apenas não-ser. O ser é, enquanto coisa em si, ou seja, coisa no homem, no tempo presente, algo vivido ou experenciado no homem e pelo homem, no tempo em que o homem atua, vive, existe; tempo vivo, vital, que pode e é vivido, no ato, porém não pode ser percebido : é imperceptível, não passa pelos sentidos, e tão-somente toma fumos de conhecimento, naquilo que não perceptivo, não sensível, ou seja, na apercepção do intelecto que, assim, outrossim, conhece a coisa em si, não no sentido kantiano, que mira a razão ou de Shopenhauer que atira na volição como ser em si. Trata-se de um ser pensado, não vivido; parte existente, parte essencial. o ser não está em presença senão da vida, a qual não percebemos; no entanto, refugiamos na apercepção intelectual para realizar esse ser, compô-lo de pensamento e de realidade mista, não fenomênica. Vivemos no presente, mas somente percebemos e experenciamos o mundo e o tempo como pretérito, no tempo passado para a memória, a qual cumula fatos, ou fabrica fatos conhecidos dos atos vividos. A coisa-em-si é um não-ser no fenômeno, algo em natureza que que não partilha a coisa com a sensibilidade, pois o ser sensível do homem não percebe, imperceptível que é a coisa, que é um ser em si, não para o outro, não para a percepção, mas para a apercepção intelectiva; porém a coisa percebida pelo intelecto em si ( intelecção coisa ou ser de intelecto ), tem expressão na imaginação, em parte, e em parte na razão, a.qual põe o quadrado e a raiz do quadrado : a quadrada, quádrupla, hermética em si como a coisa-em-si. 

 
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domingo, 9 de setembro de 2012

TCHAIKOVSKY - vida obra biografia enciclopédia delta barsa verbete músicas óperas balés sinfonias concertos piano violino


Primeiro temos medo do escuro
sem tempero de lua
Posteriormente emerge o medo da morte
e por fim acabamos com o mais sombrio dos medos :
o medo de nós
só traduzido me linguagem individual conotativa
no medo em mim
de mim mesmo!,
pois eu posso me matar,
perpetrar suicídio após uma loucura irreversível;
logo, tenho o poder de me assustar
até o auge do pânico
melhor que qualquer demônio ou espírito obsessor
uma vez que sou o deus Pã
- o deus silvestre
no jângal dentro de mim
que aparece de chofre
ocasionando o terror pânico
que no jargão médico-psiquiátrico
é o transtorno ou a síndrome de pânico

O recém-nascido, a criança,
têm medo do escuro
que não temperou lua no céu noturno,
de mamífero fechado em olhos
para luz aberta em lua temperada
com o trevo das trevas
que arregalam os olhos
ao menor facho de luz
ao archote : tempero de luz

Cada noite de intempérie,
intemperança natural,
na madrugada longeva,
que vai e vem no balouço do ar
pelas ondas sonoras dos galos,
que, destarte, forma um arroio,
- mais medo de mim
é adicionado à trilha da calada,
em passo de horas sombrias
sobre a alfombra orvalhada
com o arcanjo negro
a brandir trevas
sobre um corcel retinto

Do berço ao mausoléu
a luz corre atrás da volúvel borboleta amarela;
porém a escuridão
amarga as ervas do sono,
suscita um tempo para margaridas amargas
e espicaça as abelhas melíferas

O terror macabro
lúgubre no ubre da noite em Via Láctea
é um betume pintando meus olhos
enquanto o pânico em mim
que sobe na surdina de mim contra mim
adiciona um anelo de amarelo ao meu temor
infundado no fundo do fundamento
que me funda na pedra em radical
para medrar o medo em pau
- Pau D'arco!

Entrementes, os meus medos medonhos,
não são arremedos do pavores tribais
dos arianos originários da Assíria,
Líbia e Fenícia,
reinos da época do medo e dos medos
do povo da Média
os quais se exprimiam
em língua do tronco indo-europeu
em cantos de cem versos à Média
aos montes Zacros
e ao país do Elão
Os Medos da Média:
- um povo todo de medos!
Um povo de dar medo!
Horripilantes bárbaros
ginetes sectários do horror
( Os meus medos
não são os seus medos
nem tampouco os nossos medos nos ossos
- os meus povos
são povos incomunicáveis
insólitos
inéditos )


Nadamos do ventre
no líquido amniótico
à cova rasa
na faixa de luz.
Cardumes somos
em travessia nos arroios de umidade do ar
em ponto do orvalho
em carradas de luz.
Viandantes entre as sombras do deserto
e a luz que medeia o andarilho ao claro do luar
- entre as quais atravessa o ser humano
sanduichado entre duas mortes
ou regiões de sombra
que precede à natividade
e, após a travessia,
com os pés plantados na alfombra de luz solar,
e a cabeça tendo por chapéu o dossel verde da vinha,
encontra as águas frias
na região do encontro oeste
ensombradas no que pisa na alcatifa
e no tinge o chapéu negro do dossel da noite
temperado com estrelas alfas e deltas
( É a célebre e breve travessia
de este
ou da morte para a vida
em exíguo caminho de luz
até o oeste
quando as trevas voltam a cobrir tudo
inclusive a vida e a morte
do sul ao norte )

Com uma das mortes no breu
em trevas de antes da travessia pela luz solar
e a outra ao abrigo da sombra
que apaga a última luz,
caminho em passamento para a escuridão glacial
ensaiando primeiros  passos de bebê pela luz
sob as veredas banhadas em águas claras de estrelas enfileiradas
que esta é a estrada por onde passa a vida
com sua força e alegria imorredouras
dourando a própria luz
com o frenesi da vida pululante
ululante nos lobos e no vento
- uma alcateia a ulular ao luar
que cintila em espelho nas escamas do dourado
peixe pescado no Rio São Francisco
pelos canoeiros com tarrafas ou anzol

O medo de mim
que jaz em nós
aumenta a cada lustro
e paralisa tal qual o veneno da vespa negra
que imobiliza a aranha
a fim de servir de pasto à cria
da vespa negra assustadora
detentora de temível tecnologia tóxica
cuja arma é uma peçonha
desenhada na química com geometria em linguagem
da farmácia da natureza
e da ciência do homem consumado

O pior pânico
é o medo interno
- o medo de mim!
medrando cada vez mais
na medrosa flor a medrar
na inflorescência  amarela
em lividez de lua
assustadiça
de mais a mais
- para o mais
indo cada vez mais
enfronhar-se no tempero preto e branco
de vida e morte
ao sol a este
e sombra à oeste
da tulipa negra

O terror pânico
o temor supersticioso e cioso
do homem mais próximo de mim
- que sou eu mesmo!
esse ser dado à  boca da besta
à fera predadora
persecutória
letal
em modo de caça
perseverando atrás da presa
- a infeliz vítima
que posso ser eu
vitimado por mim mesmo
na selva negra embuçada de trevas da noite
do medo sem dó menor
em dó maior
em concerto para piano e orquestra sinfônica ou filarmônica
de Mozart ou Tchaikovsky 

 
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terça-feira, 4 de setembro de 2012

MORIGERADO - léxico lexicografia glossário etimologia etimo

Foi alienado a mim um bem imóvel do poeta
de versos e versificação ao vermelho da amora
com queda angelical no rosicler
da manhã que manca
ainda com o sono pesando nos olhos zarolhos:
oníricos abrolhos
( Não!, de dentro dele
- do sono ao hemistíquio do sonho,
de suas entranhas estranhas,
hemisféricas no olhar de pestanas fechadas,
não saiu a caminhar
um poeta Verlaine!
- rumo ao absinto
servido em um Café de Paris
às  margens do Sena 
curso d'água nadando em si
- písceo ser elétrico
barométrico... )

O esteta que lá vivera e cantara
o lá lá lá da nota lá, no  musical,
em lá maior ou menor,
conforme o arpejo sem pejo dos acordes
- pintava quadros ingênuos
duma candura de duma estética
que se refletia nos versos
de poemas versando sobre Nossa Senhora
e sua imaculada candura
e concepção virginal

Latinista emérito
poliglota
conhecedor de filosofia
professor de matemática
- um erudito como sói serem os poetas
que enfrentam o jângal
qual fera selvática
cuja sanha de matar é mais sutil e violenta
que as das bestas microcéfalas
 
( O poeta é um deus silvestre
que sopra avena
cujo som vai boindo sobre as ondas 
qual navio ou nave e ave 
no cosmos que é a selva impenetrável
intrincada no obscuro da umidade
 regada  no regato...
floresta  intransponível
- presa ao cipoal
pela cauda preênsil do primata
dilacerada pela mandíbula e garras do predador
que salta no tigre de tocaia
na onça de atalaia
e que, ao mesmo tempo,
voltando a ser o poeta,
 quando livre da possessão diabólica da fera,
a fim de tolerar a hipocrisia humana, 
baixo luar de sertão tão vão nas grotas,
amealha um vasto conhecimento universal
para que o poeta se afaste 
em latifúndios léguas de e alqueires de versos em virtuose
que os alheia o bardo dos homens
talahados na pedra 
para ser escravos sociais e pessoais
para pder gozar da tolerância  dos senhores do universo
sem verso de anacoreta bizarro
dissidente refugiado no inverso
ou no anverso da prosa
e do prosaico )

Homem morigerado

empertigado
cheio de manias
esgares trejeitos rictos
solteiro convicto
solene no trajar
no contato social
econômico nos vocábulos
contido
afetado
com um quê de efeminado
nos modos de megera irascível...
Enfim, um ermitão de brio
em meio ao burburinho estúpido
da arraia-miúda a se proliferar,
do rebotalho a chafurdar na lama,
prolíferos e supérfluos
mas necessários à base da pirâmide
que sustem os nababos privilegiados
na raiz não-quadrada do nabo

  Aquele homem personalíssimo
não era nenhum poeta Verlaine
a entrar e sair livre
do bar e da poesia
embriagado!
uma das poucas formas de evasão do tédio amarelo
em página
que sopra a alma
para outro flautim
de serafim chinfrim
de brim, bebericando gim  )

Ele vivia na casa

a plantar e sachar
por em gaiolas  aves  canoras
e conviver com uma seriema
entre árvores e arbustos
sonhando com bustos
sem sustos com Súcubos e Íncubos fletidos
- na esteira da flecha de Zeno de Eléia

Havia uma pérgola

onde uma parreira
dormitava em uvas;
um pé  de carambola
outro de pinha
uma palmeira com cocos
na palma da mão esverdeada
segurando um vespeiro pululante de vida
e, por fim, e por mim ( porque não?! )
um pé de canela 
ou uma caneleira 
 que envolvia a todos
com um olhar verde
de violinista que afeta o espírito
pelas ondas que dançam no ouvido

Acabei com a vinha

decepei a caneleira a golpe de machado
mas ela voltou a florescer
e então a deixei em paz pura,
na pureza da paz da pomba,
ao arredor de suas folhas
cuja infusão proporcionava um bom chá
de delicioso aroma e sabor

Depois alienei o imóvel

e veio outro ignorante
destruir o restante do vegetal
que habitava no fundo do poeta ;
o restolho da ceifa
no sono da palha
no verde do lodo
ficou exprimida e espremida
a última alma do poeta
que por ali tergiversou à vontade

( Quando acabará o lastro vegetativo

que mantém o ser humano vivo
abraçado aos vaga-lumes
que já não erram pelos caminhos do céu noturno
corrigindo trevas
e aos miosótis que pintam o azul
nos olhos que descem ao rés-do-chão?!
- Quando deixar de vir-a-ser
um poeta Verlaine,
à deriva,
sempre á deriva?! )

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

SEVERIDADE - lexicografia etimologia etimo

A coisa, a coisa-em-si de Kant, só é em-si em Kant, para Kant, ou seja, é  tão-somente uma coisa-em-Kant ou no si de Kant e outra coisa ( ou a mesma com variações rococó), em Shopenhauer; a saber : a vontade. Em Shopenhaeur a coisa-em-si a substância que funda o cosmos é a vontade.Para ambos os filósofos célebres, cerebrais e, por conseguinte, cerebrinos, tal coisa ( a coisa-em-si, kantiana, que para Shopenhauer é a vontade, é o fundamento do universo.Posteriormente essa vontade ( de potência) se transforma na metafísica de Nietzsche, discípulo e rival de Shopenhauer, autero filósofo moral. Nietzsche era de uma severidade doentia para com a filosfia de Shopenhauer, após sua emancipação filosófica.
Na cosmovisão de Kant, a coisa-em-si, está no fenômeno, por trás do fenômeno, no mundo fenomênico, enfim e não ´pois real, mas dada pelos sentidos nas formas "a priori" de tempo e espaço. É algo que só se pode pensar de forma racional sendo, pois, "objeto" de razão e não dos sentidos, os quais não dão a coisa-em-si, mas o fenômeno, que a encobre como o véu de Maia vela a realidade. O objeto tem dois sujeitos imaginários e apenas um real : o homem ; os sujeitos imaginários dos objetos são : os sentidos e  a razão.
Somente sabemos de uma coisa localizada no mundo empírico  ( espaço e tempo, sendo, com Kant, espaço por fora e tempo por dentro ; na concepção kantiana,  o espaço é a forma externa, a "geometria" ou desenho dos objetos, dentro de um plano euclidiano e o tempo, forma interna de pensar através da sucessão, que, para o ser humano, constitui o passar do tempo, a incessante mudança,  mutação ) através dos sentidos que a captam, através da intuição, nas formas apriorísticas dadas pela razão e pela intuição, onde estão os objetos transcendentais, e "a posteriori", ou no mundo físico, onde estão as coisas, que é dada no fenômeno e pela razão ou vontade : a coisa-em-si,  imperceptível à sensibilidade ; se os sentidos não a captam é porque estão fora do alcance deles, como é o caso das criaturas microscóspicas e as macroscópicas que não emitem luz,  conquanto possam ser deduzidas ou inferidas por outras formas que a  razão acha para percebê-las, como o movimento, a gravidade percebida num planeta escuro que gira uma estrela clara. A coisa vista ou observada está em mim e no microscópio ou no telescópio, que são seus dois estados ou  estágios de ser e por fim (será fim?), em-si antes  e depois do olhar deitado sobre ela desde o referencial ou sujeito.
O absoluto é um conceito, uma concepção humana assim como o nada ou o não-ser, as negações dos objetos ou coisas positivas.Então, as coisas e objetos tem seu lado positivo ( em-si e no mundo concomitantemente ) e fora de si ou do outro lado do ser ser, no caso das  relações que trazem os fenômenos, que são essas coisas pegas em-si através do pô-las fora de si : no mundo, na percepção , na apercepção ou pensamento, conceito, dentre outros.
O absoluto não existe, senão como doutrina, abstração, e as coisas somente existem nas relações que incluem as percepções, os pensamentos e outro itens .
O absoluto é o não-ser, o nada, o zero matemático : linguagens que constroem a ciência. Só podemos dizer que os seres são absolutos quando consideramos que existem em-si e fora-de-si, ou seja, no homem e não no universo  regido por reações em cadeia ou teia  ( o zero, a  nadidade, o não-ser que acolhe todas essas negatividades postas pelo puro pensamento em conflito e confronto como o mundo aonde as coisas o são em absoluto, até certo ponto da reta, mas também, ao mesmo tempo, são relativos a partir de outro segmento da reta : isso é que são coisas-em-si ou no homem : o pensamento que vai do positivo ao negativo a fim de estabelecer o paradoxo do conhecimento, pois o conhecimento é um paradoxo do cérebro, regido pela razão e sentidos em perene divergência. No mundo fora do homem ( coisa-em-si sem o homem, para usar a linguagem que elabora a ciência kantiana : o criticismo ) somente existem coisas em  relações.
O absoluto, asimo como o zero, o não-ser são apenas um negação que produz a centelha do conhecimento no homem , quando este contrapõe o todo e o nada, desmanchando o positivo a fim de analisá-lo sem as relações que inviabilizam a coisa-em-si, mas dá a coisa-em-si como a crítica que destrói o pensamento cândido, confortável através da crítica epistêmica, que é a filosofia em sua linguagem e objeto.
As coisa, quando e somente postas ( em-ser) pela mente humana, são absolutas;no entanto, fora da negação mental são relativas.Quando no mundo, são absolutas e relativas, a um só tempo,  no espaço . Todo absoluto (doutrina)  e relativo ( coisas no espaço-tempo naturais) são questões puramente concernente às linguagens, que é uma realidade fora da realidade e que não são nada em-si, mas tudo no fora-de-si ( no homem enquanto alienado no pensamento que dá um papel social ao pensador, inclusive ao de Rodin).
Não existe, pois,  coisa-em-si; a coisa é múltipla, pois é enfeixada em várias relações : coisa, objeto, artefato,  negação da coisa, antinomia... A coisa-em-si, no que é, é o mesmo que  o conceito de não-ser, nada, zero ou outras negações que corporificam as doutrinas, são objetos ocultos de doutrina, sem os quais( objetos) não há doutrina, que o pensamento humano é sustentado dentro de uma tese maniqueísta ( a gramática da doutrina é o maniqueísmo, qualquer que seja a doutrina; o maniqueísmo é a coluna vertebral da doutrina, sua estrutura, arcabouço ), a qual podemos observar de fato,  em natureza, conquanto esse transplante ao mundo natural, não passa de uma ilusão que alimenta doutrinas, pois a doutrina é uma expressão sempre maniqueísta, não está no mundo, mas em nosso ser, contra o qual, por ser uno e o todo, na conformidade do elata Parmênides, a doutrina se funda no que ela ( doutrina) põe de contraste e sombra, em negatividade humana-pensante que apaga ou empana preclara  a positividade natural, a fim de conhecer, porquanto não há conhecimento humano, exceto do ser dos eleatas, fora do maniqueísmo, o qual sempre se constitui em doutrina, cujos objetos são o que nega e os quais,objetos, fundam a linguagem que  desenham. Entenda-se por maniqueísmo aqui não a doutrina religiosa apenas, que tomamos como paradigma, mas todo sistema binária que se nega e afirma, que põe o contraditório.
A coisa não é construída em natureza para ser em-si ou para-si, mas para as ralações, inclusive as de "corporificação". A  coisa é com outras coisas, seu ser é moldado nas relações, incluso de percepção e pensamento, da qual a coisa não depende e não fica em-si ou fora-de-si por isso. O pensamento que tende a negar o universo é que a põe em si. A  coisa não é para si, nem em-si, mas para as relações  perpetradas no cosmos. Ao se fazer, para se construir, e para construir o conhecimento, o pensamento tem que se afirmar negando a coisa, tingindo-a com a antinomia, o paradoxo que ridiculariza o conhecimento do crédulo...
Se o que Kant pensava da coisa-em-si era seu substrato ( átomos, matéria e como era formada pelo tempo e no espaço desenhada na geometria do espaço pensado pelo homem, dentro dos postulados figurados concepção ou conhecimento erudito do espaço matemático-geométrico  desde Euclides, que logrou amalgamar matemática, desenho ( espaço em formas) e postulados filosóficos, também dados nos axiomas ) então era em-si somente enquanto não havia artefatos ( microscópios ) que a perscrutassem, pois o conceito de coisa-em-si é equívoco, vez que as coisas não são para si, mas para as relações.
Não é possível coisa-em-si, mesmo nós em nosso ser-em-si , pois ainda ser não há o em-si absoluto, mas relativo, conquanto somos coisas num "período" e espaço desenhado pela geometria que conhecemos em Euclides em doutrina postulada dentre as inúmeras que se entrelaçam à vida  e a dar a conhecer nossa vida, corpo, história, cultura, linguagens, lendas, mitos,  em meio às outras coisas, que somos ou fomos, em arcabouço doutrinário, no decurso da história que no contamos, mas que também não é em-si, pois o em-si é somente o ato de negação que possibilita o advento do conhecimento, que somente possui essa forma negativa de conceber.
Aliás, essa maneira de pensar é exclusiva da cultura ocidental européia, originária na Magna Grécia, na Hélade, encetada por um poema de Parmênides de Eléia, o eleata, mestre e fonte da escola eleata, de onde surgiu Zeno. Não houve outra vertente dessa forma de conceber. O pensamento do mundo inteiro não andou por ainda anda o pensamento grego denominado de filosofia, mas que, em verdade, abarca miríades de linguagens elaboradas para a ciência, que sob tal abordagem, parecem ciências, quando só há uma ciência e várias linguagens para a ciência, consoante requer o objeto.
A filosofia, sendo quase sempre negativa, ou seja, uma forma única de pensamento que elabora uma linguagem ao contrapor as noções do positivo ( o ser posto, existente) e do negativo não-ser, nada,zero, inexistente ) faz do "logos", a língua, e da  a lógica, a linguagem, a qual tem a função de exprimir a realidade e seu contraponto, dentro de uma lógica que é a gramática  ou linguística.
A ciência se funda na positividade, e por isso, por definição, é acrítica, unilateral; a filosofia, por sua vez, põe o outro lado, fundamenta a negatividade, pois o positivo é o possível e necessário, mas tem carência de uma postura crítica, mesmo que, na maioria das vezes, a filosofia se torna objeto de zombarias, devido às posições absurdas oriundas do exercício da retórica metafísica, uma linguagem complexa, porém aberta em demasia, arejada excessivamente, emancipada a ponto de colocar postulados tão arrojados que beiram ao temerário e, não poucas vezes, ao ridículo, construindo com o máximo de inteligência o máximo de ilusões a fim de atender a vontade do filósofo que pensa em dois contextos ( para citar dois contextos e não toda a gama) : o individual e o coletivo e todas as linguagens que a filosofia apresenta, a saber : a gnoseologia, (gnosiologia), epistemologia, noética, ética, ontologia e outras linguagens da filosofia, dentre elas a geometria e a estética..
Essa tensão metafísica e física, da existência e essência, é que mantém vivas e acesas as chamas da ciência e da filosofia, que são complementares, suplementares.
A botânica, que é, não uma ciência, mas a ciência, tem uma lexicografia, uma nomenclatura(binomial), uma terminologia científica ou jargão, uma cladística, enfim, toda uma linguagem e um objeto : os vegetais, que a distinguem das outras linguagens, que outrossim falam para outros objetos de ciência, fechados hermeticamente numa linguagem para o objeto. A filosofia, por seu turno, é uma linguagem que se funda no negativo e que por isso tem vários objetos, conforme seja ontologia, gnoseologia ou outras linguagens críticas ou que negam os objeto, os objetivos,  e investiga a substância, as relações de sujeito e predicado, na gramática.
A ciência não pode ser crítica porque ela não se olha, com nõs não nos olhamos, senão no espelho ou à lâmina d'água, e nos perdemos de paixão pela imagem no complexo do mito de Narciso, nosso mito primordial, fundante.
A filosofia nega o objeto e a linguagem a fim de acurar ambas e induzí-las a se constituir em acervo crítico. Ambas dialogam pela linguagem. A filosofia usa da dialética de Zeno de Eléia, o eleata, na linguagem, que é uma linguagem também, enquanto a ciência promove o diálogo com interlocução dialética.  A filosofia desmancha e desmatela o objeto,  bem como critica a linguagem, pois tem como objeto o pensamento.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

AZÁFAMA - glossário léxico lexicografia etimologia etimo

Quem é feliz,
filistéia,
cava um fosso
entre si e o mundo.
 Mas quem é feliz,
ó filistéia?!:
- A aléia!

Feliz quem opta por  viver em paz
consigo mesmo
a esmo no ermo de si
rumo à ermida
sanduichado entre o sol inclemente
( diferente de Alá,
que é clemente ) 
e a areia fervilhante
a ferir a sandália
do monge andarilho
em trilho no brilho do sol
- puro estribilho de calor e luz! 
E com luar no ar suspenso
apenso no que penso
ao pensar as mazelas
da noite escura e gelada
no deserto das sombras e miragens.

 Quem é feliz,  
 filistéia, 
 o é apenas em solidão e solitude
de ambientes desérticos 
Impossível ser feliz com todos,
em comunidade,
ainda que em aldeias-fantasmas 
com infra-estrutura para eremitas,
ou com  qualquer outro ser
- quer seja a amada ou o abade!
não há felicidade!

Quem quer ser feliz,
Oh! filistéia!, 
cerca-se em uma floresta
tendo como entretenimento 
ler em mente,
longe do azáfama dos museus de mortos-vivos,
a pinacoteca de Cézanne.
Outrossim, não recebe ninguém
nem por correspondência
porque quase todos são estúpidos
loucos sem o pão da poesia.
Todavia, é bom anfitrião
para os não-estultos
não maculados pela peste endêmica,
epidêmica, que assola o homem
esse infeliz fauno em zoológico
ou no papel alienado de zoólogo.

Quem é feliz,
filistéia atéia,
não recebe filisteu
nem tampouco filhos seus
( dos filisteus! )
porquando usufruindo de plena paz 
com corpo e alma serenos
ser humano assim saudável
é visto na ótica do papalvo
como algo desconcertante,
anormal,
indecifrável, 
- uma aberração da natureza!,
pois num mundo humano em abalo sísmico
movido por espasmos epilépticos
síndromes de pânico
e tantos outros transtornos a distorcer  o homem
no monstro do espelho desfocado
e o leva a ser o legado do mísero enfermo
trapo de corpo e alma rotos
com o que restou de espírito
afetado pela  grande demência humana :
a estultícia perene
caduciforme 
precoce
- sintomática na pieguiçe pegajosa
porosa indecorosa
sem a rosa no rosicler da alva
que enceta outro dia glorioso
para os que são felizes
tendo a mão da saúde 
a esculpir o corpo 
a alma e o espírito 
com mão e mente de Rodin
ou o escultor italiano Antônio Canova
 nas Três Graças
que se dançam
antes da dança
( Ah! a pieguiçe vem sempre a par com a estupidez
sua companheira necessária! ).

Quem é feliz,
ó filistéia,
não precisa de felicidade
- a qual é um mero vocábulo
que não dá voz a nada
no ser humano disperso
em cantos e lamentações de profeta bíblico
em eterna diáspora.

Quem é feliz,
filistéia?! :
 A lampreia?!,
quando servida em cardápio para o homem
- esse glutão
insaciável
de necessidades infindáveis
no dizer ou "logos"de economistas 
os quais são os inventores da ciência do rico  
 e cujo maior feito heróico 
foi levar as necessidades ao infinito
para acordar com o espírito matemático
de  infinita abstração
para o inexistente numeral
que tão -somente existe
 sob a mente e a mão do homem
a grafar signos e símbolos
compondo as várias linguagens
sob gramáticas e semiologias
( Esses inventores de  ilusão
em seu pensamento mágico
 justificaram a riqueza de alguns homens de sorte,
meros arrivistas sem valor,
mas com muita mais-valia e capital,
confundindo essa abastança irracional 
 com a riqueza das nações
quando de fato são a pobreza da humanidade
sem perspetiva filosofante
ao modo do filósofo Marx
que desfez a ciência de rico,
perscrutando-a
escrutinando-a...
mas criou o  regime doentio
do comunismo
- mais deletério ao homem
que o mais selvagem capitalismo )

Quem é feliz,
filistéia,
sabe à colmeia e mel 
vive com corpo e mente sã
desintoxicado
 mercê de exercício de paz perene
livre dos insanos, insumos, 
que trescalam odor de guerra e política
ao semear tais demônios capitais
( em "caput!")
por onde vão deixando rastos
levando sua vanidade
nos genes e nos memes
- porquanto esta é sua  cruz romana
( ou filistéia?,
- Dalila! )

Quem é feliz
não recebe o filisteu,
ó filistéia bela!; 
contudo, quem sabe um filisteu
filho teu
ache o fio de Ariadne 
que permita fugir do labirinto
por onde erra o minotauro 
- juiz, sacerdote e verdugo
de todos os aglomerados humanos 
aonde a intolerância é sempre-viva
no berço vegetal 
animal e mítico de Asterión, 
sobre o qual escreveu Jorge Luis Borges. 
 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

AMORAL - dicionário wikcionário verbete

Foi alienado a mim um bem imóvel do poeta
de versos e versificação ao vermelho da amora
com queda angelical no rosicler
da manhã que manca
ainda com sono pesando no olhos zarolhos
( Não, de dentro dele
de suas entranhas estranhas
não saiu a caminhar
um poeta Verlaine!
- rumo ao absinto
servido em um Café
mas do rubicundo imoral amoral da amora
moral na mora da moratória da Morávia
onde à orla do rio Morava
os Morávios falam em diversos dialetos  )

O esteta pintava quadros ingênuos

numa candura estética
que se refletia nos versos
de poemas sobre Nossa Senhora
Latinista emérito
poliglota
conhecedor de filosofia
professor de matemática
- um erudito como sói serem os poetas
que enfrentam o jângal
qual fera selvática
( O poeta é um deus silvestre
que sopra avena
- é a selva impenetrável
intrincada no obscuro úmido
intransponível
- presa ao cipoal
a cauda preênsil do primata
Outrossim é o predador
que salta no tigre de tocaia
e que ao mesmo tempo
a fim de tolerar a hipocrisia humana
amealha um vasto conhecimento universal
que os alheia e aproxima dos homens
por tolerância de anacoreta bizarro )

Homem morigerado

empertigado
cheio de manias
esgares trejeitos rictos
solteiro convicto
solene no trajar
no contato social
econômico nos vocábulos
contido
afetado
com um quê de efeminado
nos modos de megera irascível
Enfim, um ermitão de brio
em meio ao burburinho estúpido
da arraia-miúda a se proliferar
do rebotalho a chafurdar na lama
prolíferos e supérfluos
mas necessários à base da pirâmide
que sustem os nababos privilegiados
( Ele não era nenhum poeta Verlaine
a entrar e sair livre
do bar e da poesia
embriagado
na evasão do tédio
que sopra a alma
para outro flautim
de serafim chinfrin
de brim bebericando gim  )

Ele vivia na casa

a plantar e sachar
por em gaiola  aves  canoras
e conviver com uma seriema
entre árvores e arbustos
sonhando com bustos

Havia uma pérgola

onde uma parreira
dormitava em uvas
Havia um pé  de carambola
outro de pinha
uma palmeira com cocos
e uma caneleira  que envolvia a todos
com um de olhar verde

Acabei com a vinha

decepei a caneleira a golpe de machado
mas ela voltou a florescer
e então a deixei em paz pura
ao redor de suas folhas
cuja infusão proporcionava um bom chá
de delicioso aroma e sabor

Depois alienei o imóvel

e veio outro ignorante
destruir o restante do vegetal
que habitava no fundo do poeta
o restolho da ceifa
no sono da palha

Quando acabará o lastro vegetativo

que mantém o ser humano vivo
abraçado aos vaga-lumes
que já não erram pelos caminhos do céu noturno
corrigindo trevas
e aos miosótis que pintam o azul
nos olhos que descem ao rés-do-chão?!
( Quando deixará de vir-a-ser
um poeta Verlaine?! )